Recife - Pernambuco

Microcefalia é tema de debate na III Mostra Internacional da Semana do Bebê

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Foto: Karina Moraes

Do Diário de Pernambuco

Por Carolina Sá Leitão

Publicado em 26/5

A microcefalia causada pelo Zika Vírus virou assunto de uma mesa redonda realizada na manhã de ontem na 3ª Mostra Internacional das Semanas do Bebê, no Centro de Convenções de Pernambuco, no Complexo do Salgadinho, em Olinda. O tema, que foi debatido pelo secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, pela neuropediatra da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), Vanessa van der Linden, a médica ligada ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) Tati Andrade e Poliana Dias, presidente da Aliança de Mães e Famílias Raras (AMAR), foi levado por um viés mais técnico, visando o desenvolvimento das crianças afetadas pela condição.

O debate buscou levantar tudo o que foi descoberto e comprovado sobre a microcefalia causada pelo Zika Vírus e, a partir disso, fomentar a discussão acerca da aceitação das crianças portadoras da mal formação. De acordo com Vanessa van der Linden, a condição pode ser detectada ainda durante a gestação, pelo exame de ultrassom, mas que os danos só poderão ser avaliados depois do nascimento. “Isso se deve ao processo de formação do cérebro. Já se sabe que o zika pode prejudicar nessa formação, mas, como esse processo é contínuo até depois do parto, os danos causados só poderão ser definidos quando a criança já responde a estímulos voluntariamente”, pontuou.

Ainda de acordo com a neuropediatra, quando a mãe contrai a zika durante a gestação, os danos cerebrais podem variar de acordo com o período gestacional, já que interfere em momentos diferentes do desenvolvimento do sistema nervoso central. A médica ainda explica que há diferenças claras entre a microcefalia congênita, que é causada por danos genéticos, e da microcefalia por doenças como toxoplasmose e zika. A principal diferença se encontra justamente nos danos cerebrais, já que, em casos mais leves de microcefalia congênita, há apenas um leve atraso no desenvolvimento da criança.

O secretário de saúde do Recife, Jaílson Correia, também reforçou que, desde o início da epidemia, houve ações por parte da Prefeitura para conter o avanço do zika e que esse processo não se deu mais cedo por falta de debate acerca da arbovirose. “Não havia registro claro da zika, mas médicos da rede pública e particular já relatavam pacientes com seus sintomas. Por não haver tanto conhecimento acerca do zika, a doença ficou associada à dengue”, explicou.

Ainda de acordo com o secretário, já é realizado um controle maior ao vetor, o mosquito Aedes Aegypti, através de campanhas de conscientização junto à população e o uso de larvicidas biológicos em espaços em que há a possibilidade de acúmulo de água.

A 3ª Mostra Internacional das Semanas do Bebê, que teve as suas atividades encerradas ontem, ocorreu em conjunto com a Semana do Bebê do Recife, que tem programação até o próximo domingo. As ações realizadas na Mostra foram desenvolvidas numa parceria entre a Prefeitura do Recife (PCR) e a Unicef.